Linda
Linda está morta. Eu corro até ela, mas seu coraçãozinho já não batia mais. O sangue escorre grosso e lentamente pelo asfalto quente. Só consigo ver que o carro é laranja. Um carangão laranja, fazendo a curva em alta velocidade.
Uma lágrima escorre em meu rosto, e cai na rua, se misturando ao sangue de Linda. Eu a amava, mais que tudo! E agora ela se foi. Tiro o meu casaco e envolvo seu corpo frágil para pegá-la no colo. Eu a enterro no quintal de casa, assim mesmo sem muita cerimônia. Ela entendia as minhas condições melhor do que ninguém, e eu era a única coisa mais próxima de família que ela tinha. E, além disso, eu não podia perder tempo... Tinha um assassino pra pegar.
Eu sou um cara durão, amargo. Já apanhei e já bati muito de frente com a vida. Mas aprendi as manhas. Quando fui preso pela segunda vez, ninguém resolveu se engraçar comigo. Não depois do que aconteceu com aquele carcereiro. Peguei uns aninhos a mais, mas valeu a pena! Totalmente.
A cadeia virou tipo o meu segundo lar, por uns tempos... Uma noite no bar, outra na cadeia. Foi nessas que eu ganhei essa cicatriz da minha bochecha, que impede que a minha barba cresça por completo. É uma parada bem feia, mas eu nunca fui lá muito bonito. Só os meus olhos, que são azuis... Mas ninguém repara, só a minha mãe, acho. Só que ela já morreu também... Pobre desgraçada.
Nessas minhas andanças, eu conheci muita gente legal. Tom era o meu melhor amigo, foi ele que me apresentou a Linda, disse que a tinha encontrado na rua. Eu tratei dos ferimentos dela, e a acolhi. Se não tivesse sido o Tommy, ela tinha morrido naquela mesma semana. Ta certo que agora ela ta morta, mas eu não teria tido tantos bons momentos, tanta coisa boa pra me lembrar na velhice. Enfim, foi uma pena ele ter pulado daquele prédio... Mas se não fosse isso, seriam os traficantes. Ele se envolveu com os caras errados... Um pena mesmo!
Outra pessoa legal que eu conheci foi o Mike. Ele é dono do Mike's. O bar que a galera costuma freqüentar. A galera vai em peso... E lá você sempre encontra o que você procura. Mike é bem liberal, e a polícia cansou de perder gente lá... Então é tipo uma zona segura.
Depois que eu conheci a Linda, a minha vida mudou. Sosseguei... Eu via nela, uma coisa boa no mundo. E isso me acalmava. Cadela! Por que você foi morrer? Eu fico mal quando você não está por perto... Linda! Já sinto sua falta.
Entro no Mike’s sem fazer muito estardalhaço. Não sei se o Mike gosta de mim de verdade, ou se ele só tem medo de mim. O importante é que ele me respeita, e sempre me ajuda quando preciso. Faço as perguntas certas, e descubro quem tem um carro laranja idiota.
Em pouco tempo, já estou caindo em cima do maldito feito um raio. Meus punhos são rápidos, e o sangue dele se espalha pelo chão da sala de estar.
Ele me chamava de louco, e eu realmente estava louco. Ele fingia não saber do que eu estava falando, então eu dou uma ajudinha pra ele se lembrar... Mostro a ele a foto de Linda, mas seu rosto desfigurado não se meche. Maldito sem coração... Uso a minha faca para fazer arte moderna. Uma parada bastante abstrata.
Algum tempo, e alguns cigarros depois. Eu já estou mais calmo. Vou até a garagem do maldito e me deparo com uma realidade horrível. Peguei o cara errado... Esse carro não é laranja, é alaranjado. Não é a mesma coisa!! Porra, não é a mesma coisa.
Ele disse que não tinha nada a ver. Porque eu sou tão cabeça dura? Idiota, quem mandou ter um carro com uma cor tão horrível...
Eu o coloco no porta-malas, e dirijo até um lugar distante...
Fico ali um pouco... Vendo tudo pegar fogo. E eu choro. Linda... Por que fariam isso contigo? Você era tão amável, tão pacífica. Você despertava as coisas boas em mim. Que tipo de maluco seria capaz de uma atrocidade dessas? Que tipo de mundo nós vivemos...?
Saio dali antes que a fumaça atraia os tiras. Não podia ser pego. Não ainda... Tinha que quebrar uns pescoços no Mike’s para ensinar noções de arte para aqueles babacas... Laranja, não é alaranjado!
Com as mãos sujas de sangue, olho mais uma vez para a foto de Linda...
Alguém atropelou a minha cachorrinha, e esse é o tipo de coisa que eu não perdôo!
Continua...
Aê! O meu segundo conto...
Pois bem... Esse é um pouco diferente do anterior, mas eu notei que eu repito bastante elementos. Meu estilo próprio? Talvez.
Esse é meio "A la Frank Miller"...
Se o pessoal gostar, quem sabe eu não faça uma continuação.
Escrito por Tuan às 16h21
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